Documentação continua fazendo sentido na era da IA, mas não quando apenas repete o que o código já deixa evidente ou o que uma regra externa já descreve.
Uma função que valida CPF, por exemplo, não ganha muito com um comentário dizendo apenas que ela valida CPF. A regra não nasceu naquele código e já está documentada fora dele. Repetir o comportamento visível cria volume, mas não necessariamente entendimento.
O registro útil explica por que uma decisão foi tomada e quais restrições existiam naquele momento. Esse contexto ajuda em refatorações, alterações e novas funcionalidades, além de evitar que uma escolha importante seja descartada sem que suas razões sejam compreendidas. Também permite que agentes de IA avaliem alternativas sem reconstruir história do sistema.
O critério, portanto, não é documentar tudo. É preservar o contexto que o código, sozinho, não consegue mostrar.